Lembro de quando era criança, ingênua, humilde, sem maldade.
Era tão gostosa essa época e agora que passou só me restou saudades e lembranças que jamais serão esquecidas.
Quando vou na sorveteria do lado da minha casa, lembro de uma sorveteria que eu ia quando eu era criança, lembro do seu Zé, o vendedor de sorvete e lembro do gostinho do sorvete de chocolate que me lambuzava toda.
Lembro das minhas birras quando minha mãe não queria me levar pra brincar no balanço de madeira, porque tinha que enfrentar uma enorme fila e ela odiava esperar pra no fina me balançar, porque eu ainda não tinha aprendido.
Saudades da minha paixonite da escola, lembro como se fosse ontem, minha prima chegando no David e falando que eu gostava dele, foi um micasso, depois de alguns minutos toda a sala já sabia e eu fiquei uma semana excluída de 'grupinhos'. Ela achava que contando pra ele ia me ajudar.
Não há culpo por isso, pois éramos apenas duas crianças.
Sempre gostei de coisas de horror, mas teve um dia que eu quase desmaiei no banheiro da escola quando fui chamar a 'loira do banheiro', sai correndo sem olhar pra trás quando as luzes se apagaram, foi muito sobrenatural, tinha tido uma queda de energia na escola.
O que eu mais sinto falta é de brincar de amarelinha, era tão mais fácil chegar no céu, de dançar Rouge, de quando eu trocava os meus óculos de grau, da minha melhor amiga que hoje é muito mal minha conhecida.
Dos professores, dos colegas de classe, e daquela menina tímida que ficou pra trás com o passar do tempo, é engraçado como as coisas se amadurecem ao nosso redor, aquela fruta que está linda madura no pé, amanhã está podre caída ao chão.
Essa velha infância que foi deixada para trás, só nos deixa saudades de quando brincávamos no barro, de pique-pega e das férias na casa da vovó.